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Na cola da recuperação altamente sincronizada das principais economias mundiais, o mercado mundial de produtos siderúrgicos vem surfando uma boa onda desde meados de 2016. A robusta retomada dos negócios nesses países provocou um aumento global do uso de metais e ajudou os setores de mineração e fundição a se recuperarem após o fim do superciclo de commodities no final dos anos 2000. Aliás, tal aumento na demanda não era observado desde o período posterior à crise econômica e financeira de 2008-2010.

Como não poderia deixar de ser, tal cenário, agravado pelo enfraquecimento do dólar, traduziu-se em aumento dos preços dos metais, desenhando um quadro que perdura até hoje. De lá para cá, os preços do alumínio, por exemplo, registraram alta de 37%, enquanto que os do cobalto quadruplicaram, e os do cobre e do níquel aumentaram, respectivamente 44% e 53%. Já os preços do zinco dobraram, em comparação com aqueles praticados mundialmente no início de 2016.

Mas, apesar do fato de o crescimento e a lucratividade terem retornado à maioria dos segmentos em termos globais, a indústria siderúrgica continua encarnando um dos maiores riscos na avaliação setorial da Coface – seguradora de crédito francesa e líder no mercado brasileiro -, com uma avaliação de crédito de “alto risco”. Assim, na contramão desse ambiente de aumento de preços e demanda crescente – que, como já foi dito, provocou a reabertura de algumas minas, o que poderia reduzir os déficits de oferta global de alumínio, cobre e zinco –, os analistas da Coface, no entanto, esperam que as tendências do setor sejam “misturadas” daqui para frente. Por quê? Bem, levando em conta a crescente demanda por metal no contexto de uma perspectiva econômica global ainda positiva, parece que já estamos além do pico do crescimento global, o que teoricamente deveria exercer uma pressão negativa sobre os preços no médio e longo prazos.

 

Protecionismo e tensões

E não é só isso. Outros fatores que já estão impactando e, provavelmente, deverão impactar ainda mais o setor siderúrgico incluem o nível ainda elevado de tensão geopolítica e um ambiente cada vez mais protecionista ao redor do planeta. Itens de siderurgia, sendo um componente importante para a indústria manufatureira, são frequentemente alvo de medidas protecionistas. Exemplo claro foi a decisão de março de 2018 dos Estados Unidos de impor taxas sobre todos os produtos importados de aço (25%) e alumínio (10%), a fim para proteger os empregos americanos como promessas de campanha eleitoral do Presidente Donald Trump.

Um rearranjo de prioridades em mercados importantes em todo o mundo, como a China e a zona do euro, também poderia dificultar esse momento. As forças especulativas promoveram a volatilidade, principalmente no mercado de zinco. Embora todos esses fatores sejam válidos, algumas diferenças-chave são dignas de nota e a perspectiva não é homogênea para todos os metais. O modelo de precificação estatística da Coface prevê que os preços dos principais metais básicos (alumínio, cobre, níquel e zinco) aumentem gradualmente no final de 2019. O alumínio deve crescer apenas 2% entre dezembro de 2017 e dezembro de 2019. O cobre deve seguir a mesma tendência, crescendo 2,4% no mesmo período.

Os preços do níquel e do zinco provavelmente aumentarão 18% e 14%, respectivamente. Em contrapartida, os preços do aço provavelmente diminuirão em 19% entre dezembro de 2017 e dezembro de 2019. Segundo os analistas da seguradora, os sinais são de que o excesso de capacidade se fortaleça à medida que as condições econômicas se tornarem menos favoráveis. Além disso, como as siderúrgicas chinesas não têm disciplina na produção durante períodos de queda de preços, um efeito de “bola de neve” – com as produtoras de aço continuando a produção mesmo se a demanda estagnar para atingir um mínimo de utilização de capacidade e ganhar participação de mercado – provavelmente impactará os preços. Esse fenômeno foi observado entre 2013 e 2015, e resultou em altas exportações de produtos siderúrgicos, o que deprimiu ainda mais os preços.

 

Tendências divergentes

Assim, nesse cenário, infelizmente, o aço será o único metal a apresentar queda. O excesso de capacidade deverá aumentar, devido à falta de disciplina na capacidade de produção das siderúrgicas chinesas durante períodos de preços fracos. Este cenário básico de queda de preços em metais ferrosos é principalmente baseado nos altos níveis de endividamento das empresas. As taxas de financiamento líquidas são particularmente altas na China, onde o setor é dominado por grandes empresas do governo, bem como nos Estados Unidos (15%), onde as companhias estão muito mais expostas a potenciais correções nos fluxos de caixa.
Khalid Aït Yahia Foto Divulgação

“O mercado siderúrgico está experimentando tendências divergentes em 2018. Os preços do aço vêm caindo na China desde o início do ano (-7%), enquanto na Europa registraram um aumento relativamente bom (+4%) e os preços do americano dispararam (+30%). Acreditamos que isso ajudará as siderúrgicas americanas a aumentar suas margens de lucro, já que seu mercado interno parece um pouco isolado do resto do mundo”, pontua Khalid Aït Yahia, economista setorial da Coface, baseado em Paris. Ainda segundo ele, do ponto de vista europeu, a ascensão também é boa. No entanto, o mero fato de os Estados Unidos protegerem o seu mercado interno de produtos siderúrgicos importados, existe o risco destes serem desviados para mercados europeus, como observado pela associação Eurofer, caso a Comissão Europeia não fique atenta.

Por sua vez, os preços chineses estão caindo devido ao crescimento econômico menos dinâmico do país. Observamos que, cada vez que os preços mostram fragilidades, as siderúrgicas chinesas tentam exportar seus excedentes, principalmente para os países vizinhos no sul da Ásia.

“Com a atual guerra comercial, as empresas estão experimentando cada vez mais incertezas, o que reduz sua confiança nos negócios, como mostram os índices relacionados em todas as regiões. Esperamos que a oferta de aço cresça, assim como a demanda, em um contexto de incapacidade das siderúrgicas chinesas de ter sua produção compatível com a demanda global. Isto irá exercer pressão descendente sobre os preços do aço em 2019”, observa ainda Khalid.

 

Isolamento dos EUA

Contudo, as implicações do protecionismo crescente dos Estados Unidos e das medidas de retaliação da China sobre esse processo vão além. Na opinião dos analistas da Coface, esse contexto de protecionismo dos Estados Unidos e medidas protecionistas recíprocas entre as duas superpotências contribuirá para isolar o mercado interno dos Estados Unidos dos concorrentes estrangeiros. Como consequência, os preços estão se fortalecendo agora, e isso deve continuar.

“As siderúrgicas americanas estão gerando mais lucro com suas atividades domésticas. Isso nos levou a atualizar nossa avaliação do setor de metais dos Estados Unidos de ‘Alto Risco’ para ‘Médio Risco’ durante nossa última revisão do segundo trimestre de 2018. No entanto, as empresas norte-americanas nos setores automotivo, de manufatura e de construção estão sofrendo com o aumento dos preços das matérias-primas, o que afetará sua margem de lucro”, explica, por sua vez, Patrícia Krause, economista da Coface América Latina, baseada em São Paulo.
Patrícia Krause Foto Divulgação

Por outro lado, Patrícia destaca que, até agora, as autoridades chinesas anunciaram medidas de retaliação para os setores agroalimentares americanos, visando principalmente aos produtores de grãos e carne. “mas outras medidas de retaliação provavelmente serão anunciadas. As autoridades europeias, mexicanas e canadenses também implementaram contramedidas, concentrando-se em certas exportações dos Estados Unidos, como grãos, aço e alumínio. Nesse contexto, o abastecimento será mais desafiador para as empresas dos Estados Unidos, afetando a lucratividade e o gerenciamento da produção”, projeta a executiva.

Alto risco

Voltando à questão do risco, vale ressaltar que, embora todo arcabouço positivo descrito no início desta reportagem a coisa não anda muito animadora para a siderurgia. No handbook “Country & Sector Risk 2018” – estudo econômico desenvolvido publicado recentemente pela Coface, abordando temas como “Risco País”, tendências macroeconômicas mundiais e as perspectivas políticas para cada uma das 160 nações nas quais a pesquisa é feita – o setor aparece como detentor de “Alto Risco Setorial” em praticamente todas as regiões do planeta, a exceção da Europa Central, onde o risco é “Médio”. Assim, seria legítimo pensar que o provável agravamento dos problemas atuais – notadamente a guerra comercial e o excesso de produção – poderá mergulhar o setor num poço ainda mais profundo nos próximos anos? E qual seria o melhor cenário para evitar que isso acontecesse?

“Nesse ponto, o melhor cenário possível para a indústria siderúrgica seria continuar o crescimento econômico global, acompanhado por uma drástica redução do excesso de capacidade chinesa. Embora nosso cenário atual indique que o crescimento em 2018 continuará sólido, consideramos que superamos o pico do crescimento global. Os riscos estão crescendo e afetarão definitivamente a indústria siderúrgica”, destaca Khalid Aït Yahia, enfatizando também o que já foi citado no início desta reportagem.

Um adendo importante feito ainda pelo economista setorial Coface, é o fato de que as autoridades chinesas tentaram reduzir o excesso de capacidade do aço – uma tarefa difícil –, cujos esforços veremos se darão frutos nos próximos meses. “De acordo com os dados disponíveis que descrevem a situação de excesso de capacidade do aço na China, parece que as autoridades do país começaram a atacar esse problema. Se forem bem-sucedidos, isso levará a um ambiente econômico menos dinâmico”, acredita Khalid.

 

Esperanças e possibilidades

Vale destacar que no “Country & Sector Risk 2018” da Coface há também uma notícia bastante alvissareira, particularmente para nós, latinos. O estudo deste ano mostra que depois de dois anos de recessão, economicamente falando a América Latina voltou a crescer em 2017. De acordo com Patrícia Krause, no ano passado houve uma alta de 1,1%, e a estimativa é de +2,4% em 2018. “Esse crescimento deve ser liderado por Chile e Brasil. A estimativa da Argentina foi revisada para baixo por conta da seca e dos recentes acontecimentos”, explica a economista. Segundo Patricia, as moedas começam a reportar maior volatilidade e, por ora, ainda há espaço para política monetária expansionista na região, com exceção da Argentina e do México.

A economista salienta que o longo calendário eleitoral em 2018 e cenário de maior protecionismo global são riscos a serem monitorados. “No Brasil o cenário ainda é muito incerto, difícil de prever qualquer movimentação política mais assertiva”, afirma a executiva da Coface, destacando, ainda, que as taxas de juros na região da América Latina ainda estão em níveis historicamente baixos. “Se o prêmio de risco subir abruptamente, bancos centrais ficariam sob pressão para aumentar as taxas”, explica Patricia.

No caso do Chile, a expectativa da Coface é de uma forte aceleração do crescimento econômico em 2018. Em 2017 o PIB registrou um crescimento de 1,5%, enquanto para 2018 a estimativa é de uma alta de 3,4%. Tal movimento pode ser atribuído à melhora recente dos indicadores de confiança da economia (depois de quatro anos em patamares pessimistas) e fundamentos de renda positivos (inflação em baixo patamar 2,2% e taxa de juros em 2,5%). “A recuperação dos indicadores de confiança, por sua vez, tem relação com a alta dos preços internacionais do cobre (+14% em junho de 2018 comparado com igual mês de 2017 ou +34% contra o valor de janeiro 2016) e por uma mudança de governo chileno, que deve adotar uma agenda mais pró-mercado”, pontua Patrícia Krause. Dados de atividade até o momento corroboram essa visão: a economia cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2018 por lá, no comparativo com o mesmo trimestre de 2017.

Para o Brasil, entretanto, o passo da carruagem deverá ser outro, o que motivou até uma revisão da projeção de crescimento do país registrada originalmente no “Country & Sector Risk 2018”. “Atualmente, esperamos uma alta de 1,8% do PIB em 2018, porém com risco de ser ainda menor. A visão relativamente mais pessimista leva em conta o fraco desempenho da economia no primeiro trimestre de 2018 – o PIB cresceu apenas 1,2% em relação ao mesmo período de 2017 –, bem como a greve dos caminhoneiros no final de maio. Algumas das perdas ocorridas no período tendem a ser transitórias, principalmente na indústria, onde ainda há capacidade ociosa. Já outras – como perdas no setor de pecuária e serviços – podem não ser revertidas. Fora isso, temos também um impacto sobre indicadores de confiança. Por fim, apesar de todos os fatores mencionados anteriormente, o crescimento da atividade econômica deve ser maior do que o reportado no último ano de 1%”, finaliza a economista da Coface.

 


Estados Unidos X resto do mundo: a guerra do comércio chegou

Análise extraída do “Country and Sector Risks Barometer” da Coface (junho 2018)

Os primeiros sinais da potencial guerra comercial global que surgiu no início deste ano foram confirmados no segundo trimestre de 2018: definitivamente, ela está aqui. Iniciativas da administração dos Estados Unidos nesta área assumiram diversas formas. Em primeiro lugar, dizem respeito às relações comerciais com a China: embora as crescentes tensões sino-americanas no início do ano tenham diminuído temporariamente graças a uma declaração conjunta em maio, elas foram reacendidas em junho, quando os Estados Unidos anunciaram uma série de medidas protecionistas contra aquele país asiático, que posteriormente anunciou suas próprias medidas de retaliação.

Isto não é surpresa, uma vez que os detalhes do acordo que deveria fluir da declaração conjunta das duas nações permanecem vagos até agora. Além disso, essa declaração de intenções sugere que as autoridades chinesas só atenderiam a uma seleção dos desejos expressos pela Casa Branca nos últimos meses, com o objetivo de reduzir o déficit comercial entre os Estados Unidos e a China para cerca de US$ 200 bilhões até 2020, um grande corte, comparado aos cerca de US$ 350 bilhões registrados em 2017. Na declaração de intenção acima mencionada, a China prometeu comprar mais “da América”, mas sem avançar nenhum número.

Esse déficit comercial crônico, devido à baixa taxa de poupança, não pode, portanto, ser revertido da noite para o dia. Assumindo a mesma taxa de crescimento das importações que em 2017, a China teria que reduzir suas exportações para os Estados Unidos em 13% ao ano em média por dois anos para reduzir seu excedente com os Estados Unidos para os tais US$ 200 bilhões. Dessa forma, a queda acentuada nas exportações chinesas para os Estados Unidos prejudicaria os consumidores norte-americanos.

A política protecionista dos Estados Unidos também se intensificou no segundo trimestre com relação às importações de aço e alumínio. Após o anúncio em março de tarifas de 25% sobre o primeiro e de 10% sobre o segundo, a administração dos Estados Unidos havia isentado temporariamente vários países, incluindo Estados que mantêm acordos com a União Europeia, como México e Canadá. Estas isenções foram finalmente levantadas e as medidas entraram em vigor no dia 1º de junho. Os produtores canadenses de aço e alumínio serão mais afetados que seus equivalentes mexicanos e da UE. A administração dos EUA parece agora inclinada a decidir sobre medidas protecionistas no setor automotivo. Embora sua escala permaneça muito incerta neste estágio, eles provavelmente afetariam pelo menos o setor automotivo alemão e, em particular, as marcas “premium”, muitas vezes apontadas pelo presidente Donald Trump. A administração dos Estados Unidos também considera que o déficit comercial de seu país vis-à-vis a Alemanha é muito grande (US$ 55 bilhões em 2017). De acordo com o que parece ser a estratégia “tentada” do presidente Trump, essa ameaça ao setor automotivo alemão poderia ser uma forma de obter concessões comerciais (os direitos alfandegários de importação de carros para a União Europeia dos Estados Unidos são de 10%, contra apenas 2,5%) na direção oposta). O setor automotivo alemão é muito importante para a economia do país: representa cerca de 20% do faturamento do setor manufatureiro da Alemanha e empregou diretamente cerca de 480.000 pessoas em 2017.

 


O quebra-cabeça chinês

Análise extraída do “Panorama Coface Economic Publications (junho 2018)

Em mais uma tentativa para intensificar seus esforços de anos e anos para reduzir as preocupações com excesso de capacidade em seu setor de aço inchado e fortemente dominado pelo Estado, o Ministério da Indústria e Informação da China anunciou medidas para reduzir sua capacidade de produção da liga. O plano original pedia a redução de 150 milhões de toneladas de capacidade de produção de aço até 2020, mas a China poderia cumprir sua meta de reduzir a capacidade de produção de aço dois anos antes do previsto: de acordo com os anúncios oficiais, a China eliminou de sua produção 115 milhões de toneladas de aço entre 2016 e 2017, e reduziu a produção de mais 140 milhões de toneladas de fornos de indução que usam sucata metálica para fazer aço. O governo também implementou medidas para reduzir a fundição ilegal e anunciou cortes sazonais na produção para aliviar os problemas de poluição nos principais centros populacionais da China nas partes norte do país (Pequim, Tianjin) e leste (Xangai). Isso se traduz em uma dinâmica de oferta e demanda mais favorável.

Dada a participação da China na produção mundial de aço (quase 50%), quaisquer desenvolvimentos no país têm grandes implicações para os preços globais do aço. Por exemplo, um forte aumento das exportações chinesas de aço em 2016 contribuiu para um colapso no preço do aço, reduzindo as receitas dos líderes mundiais de mercado, incluindo a ArcelorMittal na Índia, a Posco na Coreia do Sul, a japonesa Nippon Steel e Sumitomo Metal Corporation (NSSMC) e US Steel. Isso provocou grandes perdas de emprego e levantou questões sobre o futuro da indústria. No entanto, essa situação se inverteu em 2017. As reformas do lado da oferta na China levaram a um aumento dos preços, que por sua vez levou à inflação nos preços ao produtor, como mostra a notável recuperação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) da China em 2017. Preços industriais mais altos ajudaram a impulsionar os ganhos, melhorando assim a lucratividade dos players de aço na China e além. E é provável que esse movimento comece a se reverter em 2018.

A China enfrentará mais pressão para lidar com o excesso de capacidade, uma vez que os preços fortes reduziram a disposição das siderúrgicas em cortar capacidade, conforme apontado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação daquele país. Apesar dos controles mais rigorosos e restrições de capacidade, a China produziu um volume recorde de aço em 2017: 832 milhões de toneladas. Isso porque tentar controlar a capacidade de aço na China é como jogar um jogo daqueles em que o jogador tem que acertar a cabeça de várias toupeiras na sequência, para fazê-las voltar ao buraco.

O aumento dos preços do aço ajudou a elevar os lucros da China em sete vezes em 2017 em relação ao ano anterior, para 177,3 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 27,74 bilhões), enquanto a receita de vendas aumentou 34,1% em relação ao ano anterior, para 3,69 trilhões de yuans (US$ 580 bilhões), de acordo com um comunicado do Ministério da Indústria. Preços mais altos e melhor lucratividade têm incentivado os produtores de aço a impulsionar as produções, a fim de colher os benefícios do impacto de curto prazo da limpeza da capacidade siderúrgica da China.

Este é, nomeadamente, o caso dos produtores fora das áreas afetadas pelos cortes sazonais do controle da poluição. Observamos uma queda significativa na produção entre setembro de 2017 e abril de 2018 em áreas industriais vizinhas a cidades onde os cortes de poluição estavam presentes. Por exemplo, a produção caiu -60%, -33% e -20%, respectivamente, em Tianjin, Henan e Hebei, que são potências industriais em torno de Pequim. A produção caiu -32% em Zhejiang, vizinha de Xangai. Enquanto isso, a produção de aço foi autorizada a aumentar em áreas que estavam isentas dos controles de poluição do inverno (Fujian 11%, Hunan 12% e Yunnan 17%), ou em províncias onde o setor siderúrgico representa uma proporção muito importante do PIB e emprego (Heilongjiang 24% e Jilin 52%). Para piorar a situação, os produtores começaram a aumentar a produção em março de 2018, quando os controles de poluição do inverno começaram a diminuir, significando que mais capacidade atingiria a rede, aumentando as pressões descendentes sobre os preços do aço no mundo.

A China começou a realizar verificações no primeiro semestre de 2018 em fornos de indução fechados e fornos ilegais para evitar que voltassem a produzir. Também é possível que as autoridades considerem proibir a adição de novas capacidades, quaisquer que sejam estas. Em abril de 2018, a China emitiu regras mais rigorosas para a construção de novas unidades de produção de aço para substituir instalações obsoletas, enquanto Tangshan – a capital do aço da China – anunciou que estenderia as restrições de poluição no inverno para melhorar o meio ambiente. Os últimos movimentos ressaltam a determinação das autoridades em conter o excesso de capacidade em seu setor de aço maciço e inchado. No entanto, dadas as mudanças estruturais e geográficas na produção que foram observadas durante os últimos meses, é improvável que elas sejam bem-sucedidas, a menos que um declínio gradual e estável dos preços do aço seja projetado.

→ Este material faz parte da:

Revista Siderurgia Brasil – Julho-Agosto/2018, edição nº 129



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