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	<title>Arquivos Empresa-Universidade - Portal Aquecimento Industrial</title>
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	<description>Tudo sobre Tecnologias Térmicas</description>
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	<title>Arquivos Empresa-Universidade - Portal Aquecimento Industrial</title>
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		<title>“Se não vier de cima&#8230;”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte da Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Sep 2016 16:05:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantas vezes, durante atividades de estabelecimento de projetos com empresas, já se ouviu ou, simplesmente, pensou na afirmativa: “se a decisão não vier de cima, não acontece”?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3>Quantas vezes, durante atividades de estabelecimento de projetos com empresas, já se ouviu ou, simplesmente, pensou na afirmativa: “se a decisão não vier de cima, não acontece”?</h3>
<p>Quantas vezes, durante atividades de estabelecimento de projetos com empresas, já se ouviu ou, simplesmente, pensou na afirmativa: “se a decisão não vier de cima, não acontece”? Um fator complicador, mas natural, pois qualquer estrutura organizacional efetiva deve respeitar a hierarquia. Por essa razão, lideranças industriais, seja no nível da direção, da superintendência ou mesmo da gerência, necessitam possuir embasamento técnico ou se cercar de consultores capacitados tecnicamente e dotados de visão estratégica.</p>
<p>Em duas experiências recentes buscou-se estabelecer projetos de desenvolvimento aplicados à indústria da transformação, utilizando-se programas de Iniciação Científica ou mesmo de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou seja, não haveria investimento direto por parte das empresas. Em um dos casos o contato se iniciou com o engenheiro responsável pelo controle do processo, o qual enxergou a necessidade de aprimoramento da linha de produção. No outro, o contato se deu diretamente com a superintendência, a qual já possuía como frente estratégica a interação com universidades. Enquanto no primeiro caso a proposta demorou a ser analisada pelos diretores e não foi sequer iniciada, no segundo foram definidos engenheiros tutores para o auxílio às atividades inclusas no plano de trabalho.</p>
<p>A parceria estabelecida com sucesso se viabilizou em função da percepção e da consequente ação por parte de um gestor com qualificações técnicas e visão a médio e a longo prazo. O sucesso do projeto foi mensurado a partir de indicadores de custo, qualidade e participação no mercado. Além disso, os resultados do trabalho em conjunto geraram know-how, tecnologia e valor agregado para a empresa, além de monografias, relatórios técnicos, artigos e qualificação técnica e comportamental para a universidade e seus estudantes.</p>
<p>No entanto, por que um gestor decide interagir com a universidade em detrimento de conferir 100% da responsabilidade de um projeto aos funcionários da empresa? Existem várias razões para isso. Primeiramente, a universidade possui um potencial criativo muito grande, além de grande conhecimento técnico. Uma outra vantagem seria o fato de o meio acadêmico dispor de ferramentas de pesquisa e acesso a informações de maneira mais ampla que o chão de fábrica. Mas, principalmente, a empresa passa a ter uma visão ampliada frente à incorporação de metodologias de trabalho e pesquisa inerentes aos profissionais acadêmicos, estabelecendo metas e condutas, além da viabilização do uso de laboratórios equipados.</p>
<p>Algumas vezes, as lideranças industriais optam pela capacitação interna, estabelecendo um tipo diferente de interação com a universidade: a modalidade de prestação de serviços via treinamento. Assim, em um terceiro exemplo, foi estabelecido um convênio entre universidade e empresa para um curso teórico acerca do processo produtivo. Na ocasião, o setor de suprimentos questionou o diretor sobre o valor empenhado no treinamento. Esse fato mostrou que, à exceção do diretor, os demais departamentos da organização possuíam desconhecimento sobre os reais ganhos com o treinamento. Prontamente, o diretor justificou que o valor era irrisório frente aos benefícios advindos da capacitação adequada de seus colaboradores.</p>
<p>Concluindo, o desconhecimento gera muito mais perdas e custos à empresa quando comparado aos valores e tempo investidos em projetos de parceria. Treinamentos específicos, interações com grupos de pesquisa sem investimentos diretos e até mesmo contratos de pesquisa são algumas das opções viáveis.</p>
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		<title>Entraves entre empresa e universidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte da Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2016 13:49:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É comum que propostas desenvolvidas pelas universidades desagradem ao setor industrial, o qual, por vezes, nem mesmo apresenta contraproposta </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: left;">É comum que propostas desenvolvidas pelas universidades desagradem ao setor industrial, o qual, por vezes, nem mesmo apresenta contraproposta</h3>
<p style="text-align: left;">Não raramente, atividades de parceria ou convênio entre instituições privadas e instituições públicas de ensino e pesquisa são interrompidas antes mesmo da celebração de um contrato. É comum que propostas desenvolvidas pelas universidades desagradem ao setor industrial, o qual, por vezes, nem mesmo apresenta contraproposta. Por outro lado, setores da indústria que já compreenderam os benefícios desse tipo de colaboração, ao sugerir e elaborar pré-propostas, podem ter dificuldades para convergir seus objetivos com institutos de pesquisa.</p>
<p style="text-align: left;">Todo país desenvolvido tem a ciência e a tecnologia como alguns dos pilares fundamentais para a geração de oportunidades às empresas e aos seus cidadãos, culminando com a alta competitividade no comércio internacional. Ao se estudar essas relações de sucesso, é fácil compreender que esses países já possuem um enorme aprendizado organizacional, buscando um fortalecimento efetivo das suas parcerias via incentivos governamentais, centrados na concepção de um projeto de desenvolvimento organizacional.</p>
<p style="text-align: left;">Na coluna da última edição, descrevi as principais vantagens para o desenvolvimento organizacional com referência ao novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação. O setor legislativo percebeu que a forma como as pesquisas são incentivadas e financiadas no Brasil, alicerçada em instituições públicas de fomento, não é sustentável. Nesse caso, a sustentabilidade está diretamente relacionada à transferência de tecnologia para todo o parque industrial.</p>
<p style="text-align: left;">A pesquisa e a inovação acadêmica, em sua maioria, não geram aplicação direta ou mesmo são trabalhada para se tornarem comerciais, sendo necessário modificar essa rota com fins ao crescimento econômico. Logo, novas medidas de incentivos, como a redução de impostos e a possibilidade de retenção da propriedade intelectual por parte da empresa, a partir de contratos de convênio com centros de pesquisa, foram estabelecidas com o objetivo de alavancar as relações de parceria.</p>
<blockquote><p>“Todo país desenvolvido tem a ciência e a tecnologia como alguns dos pilares fundamentais para a geração de oportunidades às empresas e aos seus cidadãos, culminando com a alta competitividade no comércio internacional”</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">Ainda hoje, várias discordâncias dificultam a criação e a manutenção da aliança entre empresa e universidade. Fatores como as diferenças de cultura, a natureza dos objetivos ou dos produtos gerados pelo relacionamento e os choques inesperados no ambiente das relações podem constituir fontes para essas discordâncias. Em geral, uma parte possui dificuldades para compreender como o trabalho é desenvolvido na outra parte, não sendo familiarizada com as metodologias e as fontes de investimento dessa outra parte.</p>
<p style="text-align: left;">As diferenças culturais são, normalmente, manifestadas com relação ao horizonte de planejamento, à diferença de linguagem a até mesmo de ambiente de trabalho. As universidades têm por referência um período de longo prazo e não muito bem definido. Já as empresas se estabelecem em cronogramas e cumprimento de metas, necessitando de atividades em curto prazo, sempre voltadas para um contexto de ambiente competitivo.</p>
<p style="text-align: left;">Com relação ao tipo de linguagem, uma se preocupa com a codificação do conhecimento, enquanto a outra está focada no conhecimento direcionado à geração de produtos.</p>
<p style="text-align: left;">Finalmente, quanto ao ambiente de trabalho, além da estrutura física, as diferenças se baseiam na fonte de força motivacional. Na universidade não há a compreensão do mercado e suas demandas, sendo a reputação no meio intelectual o fator de maior importância. No ambiente industrial, a motivação é pautada por avaliações de desempenho e o referencial crítico é o superior hierárquico.</p>
<p style="text-align: left;">Enfim, a boa notícia é que cada vez mais profissionais de ambas as partes têm compreendido a maneira de trabalho em uma parceria. Universidades têm contratado professores com experiência industrial e profissionais do setor privado têm se dedicado cada vez mais ao desenvolvimento acadêmico. Os incentivos públicos e a mudança no comportamento dos colaboradores vêm proporcionando um aprendizado organizacional no Brasil, ou seja, aprimorando ações de comunicação entre setores, geração de conhecimento técnico e uma consequente disponibilização de tecnologias aplicáveis.</p>
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		<title>Marco legal da ciência, tecnologia e inovação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2016 15:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O chamado Marco Legal de CTI estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">Há dois anos fui procurado por uma empresa da área automotiva para a realização de projetos de inovação, sendo caracterizados pelo modelo Convênio para Parcerias. Essa modalidade já foi detalhada nesta mesma coluna, na Edição número 24 (Julho a Setembro de 2014), com o texto intitulado “Os tipos de Integração entre Empresa e Universidade”. Tratava-se de um projeto grandioso, definido por uma eficiente equipe, composta por professores, pesquisadores, alunos e engenheiros.</p>
<p class="ConteudoTexto">Comumente, a primeira etapa de uma relação entre empresa e instituição de ensino e pesquisa envolve uma ou mais reuniões para descrição e análise do problema, além da definição dos objetivos relacionados à inovação em questão. Posteriormente, o professor coordenador elege uma fundação para a administração financeira do projeto e elabora uma proposta, a qual é submetida à empresa em acordo com a fundação. Apresentações técnicas e reuniões dispostas com advogados de ambas as partes e, até mesmo, com órgãos de coordenadoria de transferência e inovação tecnológica se sucedem à proposta. Finalmente, quando todos os detalhes são esclarecidos e definidos, ocorre a assinatura do contrato e o efetivo desenvolvimento.</p>
<p class="ConteudoTexto">No entanto, anteriormente, o projeto de convênio poderia causar desconforto em ambas as partes, principalmente pelo lado da empresa. Por exemplo, questões relacionadas à detenção dos direitos sobre as invenções frequentemente emperrariam o processo. Mesmo em casos nos quais o financiamento é realizado integralmente via recursos da própria empresa interessada, o entendimento da universidade com relação a royalties poderia ser inapropriado. Além disso, impostos sobre as atividades de pesquisa usualmente aumentavam ainda mais o custo para se realizar o projeto. Pois, hoje, esses e vários outros aspectos já foram revistos na lei conhecida como Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação.</p>
<blockquote>
<p class="ConteudoTexto">“A Lei número 13.243, de 11 de Janeiro de 2016, o chamado Marco Legal de CTI, estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo.”</p>
</blockquote>
<p class="ConteudoTexto">A Lei número 13.243, de 11 de Janeiro de 2016, o chamado Marco Legal de CTI, estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País. Na prática, a lei reúne todos os setores na sua produção e representa uma evolução para a ciência, a tecnologia e a inovação, pois facilita o processo de se fazer ciência no Brasil. Os estímulos à inovação estão agora mais claros e práticos, incluindo instrumentos como: subvenção econômica com recursos não reembolsáveis; financiamento com recursos reembolsáveis, mas a taxas mínimas; possibilidade de participação societária minoritária por parte da União; bônus tecnológicos; e encomendas tecnológicas.</p>
<p class="ConteudoTexto">Anteriormente ao Marco, as atividades de pesquisa eram, por diversas vezes, “travadas” por questões legais e regras generalizadas, as quais nem sempre se adequavam a situações de integração no ramo da engenharia. Agora, a Lei altera outras de maneira a propiciar maior flexibilidade, permitindo ações mais adequadas à prática científica. Por exemplo, passa a ser possível estabelecer laboratórios dentro das instituições dedicados a pesquisas relacionadas ao processo produtivo de uma determinada empresa. Outro ponto importante é o fato de as propriedades intelectuais sobre os resultados das inovações poderem ser de direito da empresa contratante.</p>
<p class="ConteudoTexto">Enfim, está ocorrendo a intenção de se desburocratizar os setores de inovação. Questões como o afastamento de docentes para a prática da pesquisa e a disponibilidade de estruturas públicas de pesquisa e desenvolvimento compõem medidas unidas no novo marco. Somado a isso, a lei trata como ponto-chave para fomentar a inovação no país a cooperação na Tríplice Hélice, retratada nesta coluna, na Edição número 25 (Outubro a Novembro de 2014), com o texto intitulado “GUI &#8211; A Interação Governo-Universidade-Indústria”. Portanto, existem agora novas mudanças em relação ao marco regulatório anterior, composto principalmente pela Lei de Inovação Tecnológica e pela Lei do Bem, entre outras. As empresas somente têm a ganhar por meio de parcerias com instituições e seus professores, potencializando as possibilidades de geração de inovação tecnológica e obtenção de financiamento.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>Implementação da simulação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Dec 2015 21:13:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A implementação da simulação, a princípio, pode gerar a falsa impressão de que substituirá os profissionais de try-out e até mesmo de desenvolvimento de processo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">As simulações computacionais de processos metalúrgicos de fabricação ficaram incubadas por décadas nas universidades. Métodos de cálculo numérico, como elementos finitos, volumes finitos, entre outros, começaram a ganhar força no final do século passado com o advento da evolução dos processadores virtuais. Ainda assim, fatores como o alto custo de aquisição dos programas comerciais, a escassez de mão de obra qualificada para a correta condução de simulações e tentativas ineficazes de implementação na indústria fizeram com que o parque industrial sul-americano se atrasasse no uso dessas tecnologias, resultando em maior dificuldade de inovação e aumento de custo de desenvolvimento frente a empresas globais.</p>
<p class="ConteudoTexto">Os resultados de se utilizar uma simulação por elementos finitos, por exemplo, em processos de conformação mecânica e também de tratamento térmico são comprovadamente efetivos do ponto de vista técnico e financeiro. Porém, a implementação dessas soluções de simulação não é algo intuitivo e confortável para as empresas. Essa atividade leva tempo e necessita metodologia e acompanhamento específicos, além de dedicação e adaptação para que se tenha o retorno desejado do investimento. Caso contrário, não havendo uma implementação criteriosa, dificilmente haverá continuidade do trabalho e a consequência é o descrédito na simulação e o desuso dessas ferramentas, implicando na perda do investimento e impedindo o aprimoramento da metodologia de trabalho de uma empresa.</p>
<p class="ConteudoTexto">A implementação da simulação, a princípio, pode gerar a falsa impressão de que substituirá os profissionais de try-out e até mesmo de desenvolvimento de processo, causando desconforto entre os setores e a não colaboração entre eles. Mas, na realidade, os programas computacionais não possuem a tecnologia de solucionar problemas ou escolher a melhor estratégia de processo. Existem, no máximo, algumas rotinas que testam diversas situações para se identificar a sensibilidade do processo em relação à variação de determinados parâmetros de entrada. Ainda assim, nesses casos, é necessário dispor de experiência prática para configurar esses parâmetros e até mesmo para controlá-los em prática. Mas, afinal, como identificar processos passíveis de serem assistidos por simulação computacional e vislumbrar as possibilidades rentáveis de sua aplicação, direcionando e focando o uso da ferramenta virtual? O sucesso da implementação industrial passa, necessariamente, pela análise estratificada do custo de todo o processo produtivo da empresa. Essa tarefa deve ser executada em sinergia com os diferentes setores, pois, quando atrelado a conhecimentos teóricos e à experiência técnica, potencializa as possibilidades de sucesso.</p>
<p class="ConteudoTexto">As universidades começaram a perceber o mercado. Por exemplo, um curso pioneiro de aperfeiçoamento, intitulado Implementação da Análise de Custos e da Simulação nos Processos de Fabricação, será ofertado no primeiro semestre de 2016 para profissionais de todas as áreas. Essa tendência mostra que a universidade passou a enxergar além da necessidade pura e simples do conhecimento teórico, focando também na estruturação de uma visão econômica do profissional e no desenvolvimento de habilidades voltadas ao planejamento e à gestão do uso de ferramentas tecnológicas.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<item>
		<title>O mercado no comportamento do engenheiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2015 11:52:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de retração econômica, especializações e mestrados são as principais opções para quem busca se diferenciar no mercado de trabalho</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">Sintomático. Essa é a palavra que pode explicar o fato de os cursos de pós-graduação receberem uma procura cada vez maior de Engenheiros. Em tempos de retração econômica, especializações e mestrados são as principais opções para quem busca se diferenciar no mercado de trabalho.</p>
<p class="ConteudoTexto">Para que se tenha uma ideia desse fato, a procura de candidatos pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica (PPGEM) da UFMG, quando comparada entre os anos de 2014 e 2015, registrou um crescimento de 25,4% para o Mestrado e de 56,3% para o Doutorado.</p>
<p class="ConteudoTexto">No evento do Grupo Aprenda em Março deste ano, o II Seminário de Processos de Tratamento Térmico, foi possível identificar que as empresas estão mais atentas à necessidade de se investir em conhecimento e em inovação, principalmente para o setor dependente do mercado interno.</p>
<p class="ConteudoTexto">O Seminário discutiu tecnologias e apresentou trabalhos na área da transformação, configurando uma clara tendência da indústria em se aperfeiçoar. Aliado a isso, com o desaquecimento do consumo, a diminuição na produção industrial é uma realidade e o foco tem sido a redução de custos. Dentre as inúmeras consequências dessa conjectura, a diminuição de postos de trabalho e a iniciativa das empresas na busca da geração de novas tecnologias são fatores que influenciam o comportamento do profissional quando o assunto está relacionado ao investimento na sua qualificação.</p>
<p class="ConteudoTexto">A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o ano de 2015 será de recessão de 1,2% no PIB (Produto Interno Bruto), influenciada pela retração de 3,4% no PIB industrial. Com relação à indústria da transformação, estima-se uma queda de 4,4%. Os setores da construção civil e de serviços industriais de utilidade pública também possuem previsão de quedas. A exceção fica por conta da indústria extrativa que, alavancada pelos petróleo, gás e mineração, deve crescer 2,3% neste ano.</p>
<p class="ConteudoTexto">Segundo a Associação de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a queda na competitividade da indústria da transformação brasileira, refletindo no baixo crescimento do PIB e na falta de investimentos, decorre principalmente do fato de que produzir no Brasil custa, em média, 30 a 40% a mais que nos principais países concorrentes. Considera, ainda, que a crise foi fabricada internamente e que, por esse motivo, só depende do Brasil sair dela.</p>
<blockquote>
<p class="ConteudoTexto">“A iniciativa das empresas na busca de novas tecnologias são fatores que influenciam o comportamento do profissional quando o assunto está relacionado ao investimento”</p>
</blockquote>
<p class="ConteudoTexto">Carlos Pastoriza, presidente da ABIMAQ, declarou que essa autodependência representa um fator positivo. De maneira mais direta, a CNI acredita que a solução é o crescimento via exportação e o destravamento de projetos de infraestrutura, mas as dificuldades são tremendas.</p>
<p class="ConteudoTexto">Na contramão, empresas com carteira sólida de exportação têm registrado um forte crescimento em razão da alta do dólar. Contratações e regime completo de trabalho têm sido a tônica dessas companhias. Mas, em geral, nas demais empresas o número de colaboradores tem sido reduzido, salvo as áreas de melhoria contínua, as quais chegam até a fazer contratações. No entanto, é importante que os projetos de melhoria contínua, tipicamente gerenciados pelo setor de produção, estejam diretamente ligados a um setor de pesquisa e desenvolvimento dentro da instituição.</p>
<p class="ConteudoTexto">A indústria automotiva cresceu bastante nos últimos anos, impulsionada principalmente pela antecipação do consumo em razão dos estímulos do governo. Enfim, o setor agora paga essa conta e sofre com a queda no consumo, agravada ainda mais pela redução no PIB. Há um consenso de que o ajuste fiscal possa restaurar a confiança do setor. Contudo, a agenda de reformas precisa ser executada. Ações de curto e médio prazos, focadas em um câmbio mais competitivo, em juros equiparados aos padrões internacionais e em um sistema tributário mais maduro e sem cumulatividade, são desejadas pela indústria.</p>
<p class="ConteudoTexto">Dessa forma, percebe-se uma série de esforços que buscam remediar a crise. Há até mesmo uma tentativa de aprimoramento tecnológico. Mas os investimentos diminuíram, quando na verdade a indústria deveria, hoje, investir em desenvolvimento. Essa percepção de que sair da crise depende só do Brasil precisa incluir projetos de pesquisa e geração de know-how, não focando somente em ações fiscais e projetos de lei.</p>
<p class="ConteudoTexto">Menos conversa e mais trabalho, menos reuniões e mais leitura, menos decisões e mais visão a longo prazo&#8230; Enfim, o caminho e a forma com que caminhamos precisam mudar.</p>
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		<title>GUI &#8211; A interação governo-universidade-indústria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2014 14:49:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entende-se por “alta tecnologia” toda a engenharia baseada em conceitos de fronteira, ou seja, que contém inovações tecnológicas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">Entende-se por “alta tecnologia” toda a engenharia baseada em conceitos de fronteira, ou seja, que contém inovações tecnológicas. Especialmente nos tempos atuais, com intensa globalização econômica, o desenvolvimento de alta tecnologia é considerado uma área estratégica na promoção eficiente da economia nacional. Essa condição pode assegurar uma capacidade competitiva internacionalmente. Sendo assim, quais seriam os fatores-chaves que afetam o desenvolvimento de altas tecnologias?</p>
<p class="ConteudoTexto">Nos anos 80, os pesquisadores Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff apresentaram nos Estados Unidos o fenômeno definido como Tríplice Hélice (Triple Helix). Eles tinham como objetivo tentar explicar os princípios de um modelo base na promoção do empreendedorismo, do crescimento global e da inovação, seja em nível nacional ou internacional. Mostraram, portanto, que o modelo da Tríplice Hélice retrata de forma integrada e detalhada o processo de inovação como resultante da relação complexa e dinâmica de experiências nas áreas de ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento nas universidades, nas empresas e nos governos, em uma espiral de “transições sem fim”.</p>
<p class="ConteudoTexto">Existem três tipos básicos de configurações do modelo da Tríplice Hélice em todo o mundo. Um desses tipos considera que os elementos “indústria” e “universidade” existem de maneira independente e sem interação. Nesse caso, o “governo” desempenha um papel dominante de intermediação, assegurando a maior parte das ocorrências de relações entres os setores (Fig. (a)). Existe um consenso de que esse primeiro modelo reflete a situação em países que formaram a União Soviética e em alguns países da América Latina. No Brasil, não é difícil constatar que a grande maioria dos projetos envolvendo universidade e indústria é impulsionada por leis e incentivos públicos, como já discutido nesta coluna em edições anteriores.</p>
<p class="ConteudoTexto">Outro tipo do modelo em questão estabelece uma relação mútua entre todos os elementos (Fig. (b)) sem, no entanto, influenciar na geração de novas ideias, na criação de inovações e no desenvolvimento de altas tecnologias. Pode-se dizer que este modelo é típico de uma sociedade como a dos Estados Unidos, estabelecendo relações entre diferentes esferas, sendo que cada uma exerce um papel independente e focado em sua própria área, não refletindo de fato os benefícios das relações entre eles. Por último, um terceiro modelo da Tríplice Hélice enxerga os seus elementos em estreita cooperação, não distinguindo a importância de cada esfera (Fig. (c)). O consenso, desta vez, estabelece esse modelo como típico da Europa e de países que demonstram um rápido crescimento econômico. Alguns incluem também os Estados Unidos nesse modelo.</p>
<p class="ConteudoTexto">A caracterização de um destes três sistemas para uma determinada sociedade depende não somente das metas estabelecidas nas áreas da ciência e da pesquisa e desenvolvimento, mas também da situação política e socioeconômica do país. O primeiro modelo, apresentando apenas um elemento dominante, é geralmente mais apropriado a países com grande influência das autoridades, nos quais o governo define as prioridades no desenvolvimento industrial e fornece ferramentas financeiras para isso. O segundo modelo, definindo as esferas institucionais separadas entre si, é aplicável a países com grande população e complexo sistema de institucionalização, como federações e confederações. Esse modelo permite uma boa gestão de investimentos, sendo alocados satisfatoriamente na indústria e na academia. Finalmente, o terceiro modelo, dispondo os elementos de maneira sobreposta, propicia o maior grau de cooperação entre as suas esferas. É típico de países com ambientes econômico e político estáveis e comercialização internacional incentivada e livre de impedimentos. Essa última forma de Tríplice Hélice facilita a solução de todos os problemas na implementação de inovações via comunicação e negociação.</p>
<p class="ConteudoTexto">Na promoção do desenvolvimento de alta tecnologia, baseada no modelo com elementos sobrepostos, é essencial que cada esfera desempenhe o seu papel de maneira a interagir com as outras. Com relação ao Brasil, não chegamos lá ainda. O aprimoramento do sistema passa, necessariamente, pela ação empresarial em investir e acreditar em projetos junto às universidades, sem a necessidade de mediação e/ou incentivo por parte do governo.</p>
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		<title>Os tipos de integração entre empresa e universidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2014 12:09:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As parcerias entre empresas e universidades podem ser entendidas como atividades de extensão</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma empresa pode contatar a universidade visando o desenvolvimento de atividades em parceria ou simplesmente demandando um serviço. Para os professores com expertise em assuntos específicos de interesse da indústria, contratos dessa natureza compõem o que se entende por “atividades de extensão”. Embora possam variar de uma universidade para outra, as ações de extensão são caracterizadas como: Programa, Projeto, Curso, Evento ou Prestação de Serviços.</p>
<p class="ConteudoTexto">Antes de detalhar cada vertente das atividades de extensão, cabe explicitar a existência de princípios e diretrizes que as regem. “Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” é uma diretriz que reafirma a extensão como processo acadêmico, vinculado à formação das pessoas e à geração de conhecimentos, compreendendo o aluno como protagonista de sua formação. A “Interdisciplinaridade”, princípio há anos difundido no meio acadêmico, traz toda uma interação entre modelos, conceitos e metodologias e é muitas vezes inerente à própria proposta de trabalho. Os resultados precisam ser efetivos e causar “Impacto e transformação” e “Impacto sobre a formação discente”, cumprindo com deveres políticos e sociais, além de reafirmar os compromissos éticos e solidários da universidade. A quinta e última diretriz é definida como “Interação dialógica”. Esse tipo de interação refere-se ao desenvolvimento de relações entre a universidade e setores sociais. Em outras palavras, a comunicação eficiente é uma das chaves do crescimento em todos os sentidos, desde a aprendizagem até a execução de trabalhos com sucesso, passando pela conscientização e discussões variadas tais quais as contidas nesta revista.</p>
<p class="ConteudoTexto">O primeiro tipo de atividade de extensão é o “Programa”. Trata-se de uma relação especial entre empresa e universidade na qual são articulados pelo menos dois projetos e outras ações de extensão (cursos, eventos ou prestação de serviços). Em geral, esta modalidade de atividade de extensão deve explicitar, necessariamente, a metodologia de articulação das diversas ações vinculadas. Além disso, deve ser orientada para um determinado público, temática, linha de extensão ou recorte territorial. Pois bem. Faz-se necessário, então, explicar cada uma das quatro ramificações restantes dentro das atividades de extensão.</p>
<p class="ConteudoTexto">“Projetos” constituem ações de caráter educativo, social, cultural, científico ou tecnológico, com objetivo focalizado, integrando ensino e pesquisa. O Projeto pode ser vinculado ou não a um Programa, podendo também abranger, de forma vinculada, cursos, eventos e prestação de serviços. É possível estabelecer projetos por intermédio de contratos ou convênios. Um contrato se caracteriza por ser consensual (acordo de vontades), formal (escrito e com requisitos especiais), oneroso (remunerado da forma convencionada), cumulativo (estabelecendo compensações recíprocas) e “intuitu personae” (executado pelo próprio contratado). Já o convênio é um ajuste entre as partes envolvidas, sendo definido um interesse em comum. Normalmente, um convênio é estabelecido quando há esforços conjuntos na elaboração de um produto ou tecnologia passíveis de proteção intelectual e/ou patente. Um bom exemplo de projeto é o desenvolvimento de novas rotas de fabricação para um determinado produto. Basicamente, essa atividade envolve pesquisas e desenvolvimento de tecnologia. Alunos de graduação em programas de iniciação científica ou pesquisadores mestrandos ou doutorandos são preferencialmente engajados nos projetos.</p>
<p class="ConteudoTexto">Existe uma infinidade de situações em que empresas desejam melhor capacitar a sua mão de obra. Para esse fim, ações pedagógicas de caráter teórico e/ou prático, sejam presenciais ou a distância, podem ser contratadas na modalidade “Cursos”. Caso sejam mais apropriados, “Eventos” diversos podem ser adquiridos ou elaborados em conjunto, implicando em apresentações específicas ou exibições públicas.</p>
<p class="ConteudoTexto">Finalmente, a “Prestação de serviços” consiste na realização de estudos e resoluções de problemas dos meios profissional ou social. É comum chamar esta atividade de consultoria, contudo, é uma ação que possui o intuito de propiciar a transferência de conhecimento e de tecnologias à sociedade, podendo haver a participação orientada de discentes e técnicos. Atuações nas áreas de redução de custos e melhoria contínua são típicas deste segmento.</p>
<p class="ConteudoTexto">Empresas que já desenvolvem qualquer uma das atividades enumeradas em união com universidades expressam satisfação com os resultados e são, cada vez mais, estimuladas à realização de novos projetos. Os resultados vão, normalmente, além do esperado, gerando publicações acadêmicas (respeitando acordos de confidencialidade), publicações comerciais e maior confiabilidade por parte dos stakeholders. Para saber mais ou ter acesso às resoluções que definem os tipos de integração, não deixe de entrar em contato.</p>
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		<title>A estampagem a quente inserida no novo contexto brasileiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2014 17:30:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A competitividade a longo prazo passa, necessariamente, pela atividade de pesquisa e desenvolvimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">Quando iniciei a coluna Integração Empresa-Universidade, na Edição no 20, também iniciava a competente Dra. Carina Leão na coluna Inovar-Auto. O leitor que tem acompanhado ambas as colunas já percebeu que elas possuem muito em comum, mas sob perspectivas diversificadas. Como o próprio nome diz, a coluna Inovar-Auto destina-se a um ramo específico e, ao mesmo tempo, bastante abrangente, abordando, inclusive, a Pesquisa e o Desenvolvimento (P&amp;D). Embora algumas ações do programa mereçam uma discussão mais filosófica e ainda sim técnica, ao correlacionar as duas colunas eu manterei o foco nas atividades relacionadas ao desenvolvimento de novas tecnologias a partir de projetos de pesquisa.</p>
<p class="ConteudoTexto">A ArcelorMittal, maior produtora mundial de aço, pela qual eu inclusive já tive a oportunidade de trabalhar, me desligando posteriormente para novos desafios profissionais, anunciou investimentos de aproximadamente US$ 15 milhões na aquisição de equipamentos e adequações da linha de produção de sua unidade ArcelorMittal Vega. Da última vez em que estive na ArcelorMittal Vega eu desenvolvia o processo de laminação a frio de chapas de aço elétrico, juntamente ao também competente MSc. Carlos Lovato Neto, uma referência industrial muito importante na minha carreira. O investimento possui o objetivo de iniciar a produção local do Usibor®. Trata-se de um aço de alta resistência com aplicação na indústria automotiva, definição essa adquirida no anúncio da ArcelorMittal. A aplicação seria em peças estruturais automotivas críticas para a segurança, como colunas, parachoques, travessas, longarinas e túneis de assoalho.</p>
<p class="ConteudoTexto">Faz-se, neste ponto, necessário explicar a definição de Usibor®. O mencionado nome comercial refere-se a um aço ao boro com uma característica específica desenvolvida pela empresa: o seu revestimento. De fato, o aço somente se torna resistente para aplicações automotivas após ser processado. Estampado a quente, ele precisa ser temperado ainda durante o processo de estampagem, sendo resfriado a partir da transferência de calor com as superfícies das matrizes. Este tratamento fornece maior resistência ao aço, sendo possível, inclusive, utilizar chapas menos espessas, aumentando a eficiência automotiva e reduzindo emissões de carbono. Enfim, a “sacada” da ArcelorMittal refere-se ao seu revestimento.</p>
<p class="ConteudoTexto">Para que o processo de estampagem a quente (hot-stamping) ocorra é preciso aquecer a chapa. Este processo é comumente realizado via fornos, o que propicia a formação de óxido na superfície da peça a ser estampada a quente, seja dentro do forno quando a sua atmosfera não é controlada, seja durante a etapa de transferência da chapa do forno para a prensa. O óxido presente inviabiliza a condução da conformação em conjunto com a têmpera. Entretanto, o Usibor® possui um revestimento de alumínio-silício, devidamente patenteado, que impede a oxidação acentuada durante o aquecimento e adapta a matéria- prima ao seu processo de transformação. Logo, todo o mercado tem sido ditado pela ArcelorMittal, obrigando as empresas de estampagem e de produção de chapas para estampagem a importarem esse produto de suas plantas na Europa. O investimento anunciado para a cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina, faz parte de um “conjunto de soluções inovadoras em aço que permite às montadoras economizar até 20% do peso do veículo, além de reduzir cerca de 15% nas emissões de CO2 durante a produção e vida útil do veículo”. Todo esse movimento é provocado pelo novo regime brasileiro, Inovar-Auto, o qual estipula metas às montadoras, buscando veículos mais leves, seguros e ambientalmente sustentáveis.</p>
<p class="ConteudoTexto">Mas, afinal, o mercado está mesmo preso e sem alternativas? Obviamente que não. A indústria tem lutado com revestimentos em zinco, os quais possuem uma janela de fabricação mais estreita quando comparado com o alumínio-silício, restringindo a sua utilização e incorrendo em defeitos. Por outro lado, nesse ramo em específico, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em parceria com outros centros nos EUA e Reino Unido, tem desenvolvido soluções tecnológicas atacando duas frentes: novos materiais e melhoria do processo. A boa notícia é que, em função da corrida industrial para o atendimento do mercado, gestores industriais mais técnicos e de visão ampla têm buscado soluções mais sólidas. Assim, já existem empresas estabelecendo parcerias com a universidade, como a UFMG, por exemplo, para desenvolver/adquirir tecnologia e ganhar competitividade.</p>
<p class="ConteudoTexto">Estou certo de que esse é um caminho sem volta. A competitividade a longo prazo passa, necessariamente, pela atividade de pesquisa e desenvolvimento. É importante dizer que, embora nem todos os professores e centros estejam preparados para esta parceria (assunto para edições futuras), existem centros universitários competentes técnica e gerencialmente. Até atingirmos um ambiente em que parcerias desse tipo ocorram sem a necessidade de um programa Inovar-Auto, ainda temos muito trabalho a se fazer.</p>
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		<title>Trainee, uma boa estratégia?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2014 13:46:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As escolas de engenharia deveriam preparar melhor os seus profissionais do ponto de vista de gestão e as empresas podem contribuir no desenvolvimento técnico de seus futuros analistas e gestores</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="ConteudoTexto">Julho de 2006. Mais de seis mil inscritos no Processo Seletivo para Trainees da ArcelorMittal, na época denominada Arcelor. Trinta vagas. Seleção de currículos, provas online de lógica, inglês e conhecimentos gerais, teste de inglês por telefone, dinâmica de grupo com psicólogos, entrevista em grupo, outro teste escrito de inglês, painel com psicólogos e gestores da empresa contratante, entrevista individual com os mesmos psicólogos e gestores, entrevista com gerentes na área pretendida e exames médicos. Admissão em Maio de 2007, sucedida por um curso de gestão pela FDC (Fundação Dom Cabral) de longa duração e um programa especial de língua inglesa. Ufa! A Arcelor e a Across RH não nos deram folga.</p>
<p class="ConteudoTexto">Mas afinal, o Trainee vale cada centavo investido? Eu não possuo os dados do Departamento de Recursos Humanos, mas me proponho, aqui, a fazer uma reflexão do meu ponto de vista, um ex-trainee.</p>
<p class="ConteudoTexto">Ao me formar em engenharia, a principal opção era embarcar na moda destes processos um tanto quanto “elaborados” para Trainee. Depois de participar de alguns deles, sem, no entanto, obter grande sucesso, eu me habituei àquele ambiente. Percebi que o desempenho pessoal nas dinâmicas dependia, dentre outros fatores, bastante da capacidade teatral do candidato. O termo “teatro” não é pejorativo. Ora, é óbvio que atuação sem conteúdo nada representa, mas uma postura correta e capacidade de vender uma ideia, ou mesmo um produto (no caso, você mesmo), de maneira persuasiva, são de extrema importância na vida profissional. Dessa forma, ao buscar o mercado de trabalho, o aspirante a engenheiro percebe que uma das inúmeras falhas da faculdade reside no fato de que não é abordado em seu curso, ao menos não de uma maneira direta, o desenvolvimento do marketing pessoal. E sem tomar consciência, é penalizado ou bem quisto por certas características pessoais, como valores e capacidade intraempreendedora, as quais vêm de dentro para fora. Uma instituição de ensino pode, no máximo, quando bem estruturada, ajudar no desenvolvimento dessas competências já pré-dispostas em cada um.</p>
<p class="ConteudoTexto">É compreensível que a capacidade gerencial para novos talentos (como são internamente chamados os Trainees) é altamente desejável pelas empresas globais, mas em pouquíssimos processos são realizados questionamentos técnicos. Excluindo-se os processos seletivos para setores administrativos e financeiros, a maior parte da indústria aceita que, do ponto de vista técnico, a universidade está fazendo o papel dela de forma brilhante. Contudo, boa parte do processo educacional no Brasil tem ocorrido de maneira fabril. Faz-se necessária, portanto, uma reflexão de ambos os lados sobre as consequências dessa conjuntura.</p>
<p class="ConteudoTexto">Competências e valores pessoais apropriados em um colaborador são fundamentais, mas a balança de um indivíduo não pode estar desequilibrada. Se por um lado, as escolas de engenharia deveriam preparar melhor os seus profissionais do ponto de vista de gestão (pessoal, financeira, projetos etc), por outro as empresas podem contribuir, e muito, no desenvolvimento técnico de seus futuros analistas e gestores, sem esperar que eles concluam a graduação. Além disso, as empresas propiciariam uma maior capacidade de geração de pesquisa e tecnologia.</p>
<p class="ConteudoTexto">Desde então, os programas de Trainee sofreram mudanças. Hoje eles tendem a ser mais pragmáticos do que glamourosos. Algumas empresas, como a BASF por exemplo, têm estabelecido programas para especialistas em áreas técnicas. Por sua vez, a Bosch expandiu o seu programa para candidatos com quatro anos de experiência, pós-graduação e vivência no exterior. Seria esse o caminho?</p>
<p class="ConteudoTexto">Dos 30 trainees selecionados, talvez 6 seguiram carreira na empresa. Provavelmente, o Departamento de Recursos Humanos possuía uma meta de retenção de talentos maior do que apenas 20%. Não faço uma crítica com relação às decisões tomadas pela empresa ao promover tal seleção, mas a reflexão é muito válida. Todo o esforço investido em 8 meses de seleção, mais 1 ou 2 anos de treinamento do profissional, poderia ter sido redirecionado e repensado a longo prazo em uma atuação conjunta com a universidade.</p>
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		<title>Reindustrializar&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alisson Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Dec 2013 11:35:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Empresa-Universidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Culturalmente, ainda estamos longe de atingir um consenso sobre as vantagens de projetos de pesquisa e de compreender que resultados consistentes são obtidos a longo prazo</p>
<p>O post <a href="https://www.aquecimentoindustrial.com.br/reindustrializar/">Reindustrializar&#8230;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.aquecimentoindustrial.com.br">Portal Aquecimento Industrial</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="ConteudoTexto">Culturalmente, ainda estamos longe de atingir um consenso sobre as vantagens de projetos de pesquisa e de compreender que resultados consistentes são obtidos a longo prazo</h3>
<p class="ConteudoTexto">Os centros de pesquisas das nossas empresas são efetivos, ou seja, geram tecnologias e a transformam em produtos de alto valor agregado? Para refletir sobre essa questão, vejamos o caso do revestimento de alumínio e silício para chapas a serem estampadas a quente, desenvolvido e patenteado pela ArcelorMittal, o qual favorece o processo de fabricação. Enquanto os demais centros correm contra o tempo para tentar desenvolver um bom revestimento, já que revestimentos em zinco possuem limitações, a ArcelorMittal estipula o seu valor de forma arbitrária. Nada mais justo.</p>
<p class="ConteudoTexto">O investimento em um produto como o acima citado não é rápido nem tampouco barato, mas hoje demonstra valer muito a pena. Apesar disso, dispor de um centro de pesquisas próprio para inovar ou solucionar problemas não é a única saída. Parcerias com centros universitários, dispondo de uma metodologia inteligente e de investimentos adequados, podem, sim, gerar tecnologias rentáveis. Inclusive, mesmo empresas que dispõem de um centro de pesquisas também têm muito a ganhar estabelecendo tais parcerias, seja agregando inovação, gerando conhecimento e tecnologia ou formando seus futuros colaboradores.</p>
<p class="ConteudoTexto">Culturalmente, ainda estamos longe de atingir um consenso sobre as vantagens de projetos de pesquisa e de compreender que resultados consistentes são obtidos a longo prazo. No Brasil, a eficiência e a eficácia de uma companhia são entendidas como consequência direta da capacidade administrativa. Liderança, gestão pessoal&#8230; competências cada vez mais valorizadas ao longo dos anos, já estabelecidas em nossa cultura, têm sido entendidas como autossuficientes. Mas não seria a capacidade técnica a premissa básica para o sucesso de qualquer organização? Não seria a competência em se obter o estado da arte o plano de fundo para a atuação gerencial? Pois a minha aposta é na valorização técnica.</p>
<p class="ConteudoTexto">A estratégia focada somente na gestão pode influenciar negativamente nos resultados de competitividade da empresa. A Fig. 1 mostra a participação da indústria brasileira no PIB (Produto Interno Bruto). É alarmante. A atual participação da manufatura no PIB representa um dos níveis mais baixos em toda a história e uma projeção não pessimista estabelece uma participação ainda menor até o ano de 2029. Não é simples agir para mudar esse cenário, nem me atrevo a dissertar sobre as várias ações possíveis com o objetivo de se reindustrializar o Brasil. Contudo, tenho a certeza de que o investimento na integração empresa-universidade, buscando inovar, desenvolver soluções e criar novas tecnologias, é, sim, uma das alternativas mais apropriadas.</p>
<p class="ConteudoTexto">Países que foram capazes de aumentar significativamente a sua renda per capita na história recente têm em comum a característica de possuir ao menos 20% da indústria da transformação no seu PIB. De posse dessa informação, a União Europeia, por exemplo, estabeleceu como uma de suas metas para se reindustrializar atingir um patamar de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) de 3% do PIB. Portanto, é inegável que ações buscando estabeler parcerias com universidades podem contribuir para a participação da indústria no PIB e, consequentemente, no crescimento econômico.</p>
<p class="ConteudoTexto">Estudos de casos podem ser utilizados como exemplos de sucesso e que certamente integram atividades que visam ao crescimento econômico. Dentre esses, pode ser citado o projeto de grandes empresas norte-americanas de fabricação de anéis laminados com o objetivo de corrigir distorções durante a têmpera. Em uma parceria com a OSU (The Ohio State University) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi desenvolvido um modelo de previsão de distorções em têmpera por intermédio do teste do anel em C. Foram realizados experimentos e simulações utilizando o JMatPro e o DEFORM-HT, elaborando e validando toda uma metodologia. A Fig. 2 mostra a evolução da distorção de um anel em C quando temperado em óleo. Essa técnica foi, então, empregada com sucesso na previsão da distorção (ovalização) de anéis laminados e temperados. A Fig. 3 mostra anéis sendo transportados do forno para enormes tanques de têmpera. A previsão da ovalização desses anéis e o respectivo método de correção foram estabelecidos via simulação (Fig. 4), em um trabalho viabilizado por uma metodologia de custos e tempo de desenvolvimento reduzidos e, sobretudo, à política industrial de parcerias com universidades.</p>
<p class="ConteudoTexto"> É necessário parar de pensar que o crescimento econômico nada tem a ver conosco. Todo indivíduo pode e deve ser criativo ou um incentivador das práticas de inovação e pesquisa. Seja como colaborador ou como cidadão, é possível participar efetivamente como parte da engrenagem industrial.</p>
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